A proposta que suspende a dedução de Juros sobre Capital Próprio (JCP) nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foi apresentada em 2023. Mais que uma mudança técnica, ela demanda que empresários revisitarem estratégias de distribuição de lucros e gestão fiscal. No blog de hoje, a Neocount traz um guia estratégico e prático sobre o que está mudando, e como sua empresa pode se adaptar com inteligência.
1. O que está em jogo com o fim do JCP?
A proposta constante no Congresso (PL nº 4.258/23) prevê o fim da dedução de JCP a partir de 2024, levantando estimativa de aumento de arrecadação de R$ 10,5 bilhões no ano seguinte Portal da Câmara dos DeputadosInfoMoney.
Segundo o ex-secretário da Receita, Everardo Maciel, que ajudou a implementar o mecanismo nos anos 1990, eliminar o JCP seria “um passo para trás”, principalmente porque não há evidência de que esse mecanismo efetivamente estimule investimentos ou reduza o endividamento das empresas CNN Brasil.
Para investidores, a mudança se reflete também no aumento da tributação para PF: de 15% para até 20% de IRRF sobre o JCP, a partir de 2026 Estadão Investidor.
2. Por que isso impacta diretamente o planejamento tributário?
2.1 Perda de benefício fiscal relevante
O JCP sempre permitiu que empresas sob o regime de Lucro Real reduzissem o IRPJ e a CSLL, remunerando sócios de forma dedutível. Sem isso, a vantagem tributária se perde completamente.
2.2 Aumento dos custos na distribuição de lucros
Comparar JCP com dividendos antes, JCP era tributado na fonte em 15% e dedutível para a empresa; agora, essa dedução deixa de existir e a distribuição via dividendos, que é isenta para o sócio, torna-se mais atraente.
2.3 Reorganização societária urgente
Empresas acostumadas a se basear em JCP devem repensar a estrutura societária (tipo de pagamentos aos sócios, timing e forma de distribuição), para mitigar o impacto tributário e manter a eficiência financeira.
3. Como ajustar o planejamento tributário em 2025?
3.1 Revisão do regime tributário
Reavalie se o Lucro Real ainda é o melhor enquadramento. O fim do JCP pode tornar outros regimes, como Lucro Presumido ou mesmo Simples, mais vantajosos conforme o faturamento e o perfil societário.
3.2 Simulação de distribuição de lucros
Compare o custo verdadeiro entre pagar via JCP ou dividendos. Lembre que o JCP deixou de ser dedutível, então é essencial modelar o efeito financeiro real dessas opções.
3.3 Potencial use de reservas e subvenções
Explore alternativas como transferência para reservas de capital ou uso de subvenções, desde que estejam dentro da conformidade fiscal prevista na Lei nº 14.789/2023 Barbieri AdvogadosPwC.
3.4 Planejamento estratégico com contabilidade consultiva
Sem JCP, a contabilidade ganha papel estratégico: identificar oportunidades fiscais e prever impactos reais passa a ser prioridade, não apenas registro.
4. Exemplos práticos de adequação
| Situação | Estratégia recomendada |
| Empresas com distribuição regular de JCP | Simular distribuição via dividendos dentro da nova realidade |
| Estruturas societárias familiares com lucros acumulados | Estruturar pagamentos em etapas para aproveitar limites |
| Empresas de alta margem sem JCP historicamente | Montar reservas estratégicas para amortecer mudanças tributárias |
5. Como a Neocount pode ser sua aliada nessa transição
Na Neocount, sabemos que mudanças tributárias exigem adaptação rápida e segura. Por isso, atuamos com contabilidade consultiva para:
- Projetar cenários com distribuição de lucros sem JCP
- Avaliar enquadramentos tributários ideais para o novo contexto
- Mapear reservas e estruturas societárias
- Orientar decisões estratégicas com base em dados financeiros reais
Conclusão
O fim da dedutibilidade de Juros sobre Capital Próprio não é apenas mais uma reforma: é um divisor de águas na maneira de distribuir lucros e gerir tributos. Mas é possível transformar o desafio em oportunidade, com planejamento, simulação e contabilidade estratégica.



